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A BIBLIOTECA ITINERANTE DA MINHA INFÂNCIA

por marcolinofernandes, em 30.11.13

 

        

 

 

Quanto mais cultura e mais conhecimento um povo tiver, mais preparado está para questionar, para contestar, para se indignar, e para se manifestar. Um povo sem cultura é um povo submisso, apático, ignorante e facilmente manipulado. Todos nos lembramos da frase de Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazi, "Quando ouço falar da cultura...puxo logo da pistola". Não é por acaso que os talk shows e os reality shows, tipo Casa dos Segredos, Big Brother, Júlias e Gouchas, têm muita audiência! E também não é por acaso que o distrito de Setúbal registou uma abstenção de 58,3%, leu bem, cinquenta e oito por cento. A nivel Nacional a abstenção foi de 47,4%.(2013)

 

Quando era criança, durante o período da escola primária, ia buscar livros emprestados à carrinha da Gulbenkian, que estacionava sempre junto à igreja de Sarilhos Pequenos, quando aqui vinha de quando em vez. Era uma biblioteca itinerante da fundação Calouste Gulbenkian, que iniciou estes serviços de bibliotecas populares itinerantes pelo país fora, em 1958. Eram carrinhas da marca Citroên, que transportavam muitos livros para que no local onde elas estacionassem os prováveis leitores os pudessem levar emprestados até ao dia em que a carrinha regressaria novamente. Dentro da carrinha havia dezenas de livros nas prateleiras. Em baixo tinha livros infantis, nas prateleiras do meio romances e nas de cima outros géneros.

 

Na minha memória ainda estão bem vivas as visitas que a biblioteca itinerante fazia à minha aldeia, Sarilhos Pequenos, onde nasci, cresci e vivi até aos 24 anos e seis meses. Tal como muitas outras crianças de Sarilhos Pequenos, eu lia sempre à luz do candeeiro a petróleo, mas, no meu caso, a utilização do candeeiro a petróleo continuou muito para além do período da escola primária.

 

Junto à carrinha juntavam-se sempre muitas pessoas, algumas delas, as mais idosas, vinham mais para observar do que para requisitar livros, porque muitas dessas pessoas não sabiam ler, mas assistiam extasiadas a tanta azáfama. Ainda me lembro de uma dessas pessoas, com o rosto enrugado de uma vida de trabalho, uma mulher idosa, já falecida há muitos anos, me dizer: “Ah, filho, eu também gostava de levar um livro, mas nunca aprendi a ler..."

 

Esta ideia de levar os livros (cultura) a todos os portugueses, partiu de Branquinho da Fonseca, conhecido escritor e bibliotecário. Foi um sucesso popular: Em 1963 já havia 47 bibliotecas ambulantes a circular pelo país, com 300 000 leitores assíduos e mais 3 milhões de livros emprestados.

 

Essas carrinhas da Gulbenkian, fundação desse grande mecenas que foi Calouste Sarkis Gulbenkian, levaram assim a cultura a pequenas aldeias como Sarilhos Pequenos, que de outra forma não teria sido possível a meninos como nós ter contacto com a literatura. Os únicos livros que conhecíamos eram os livros escolares, cujo conteúdo emanava da ideologia do regime fascista. O Estado Novo aproveitava os livros escolares do ensino primário para propagandear o regime. Até as capas dos livros e dos cadernos escolares, continham imagens alusivas à mocidade portuguesa (organização juvenil do Estado Novo=fascismo).

 

As carrinhas da Gulbenkian promoveram e desenvolveram o gosto pela leitura e elevaram o nível cultural de muitos cidadãos deste país. Praticavam o princípio do livre acesso às estantes, empréstimo domiciliário e gratuitidade do serviço. O público a quem o serviço se dirigia era principalmente o de menor acesso à educação e cultura, habitando nas regiões mais desfavorecidas, como era Sarilhos Pequenos. Todas as faixas etárias podiam levantar livros, mas tendo em conta a iliteracia que ainda perdurava em Sarilhos Pequenos, tal como em todo o país, nas décadas de cinquenta e sessenta, foi entre público mais jovem que estas bibliotecas itinerantes tiveram melhor acolhimento.

 

A Fundação Calouste Gulbenkian emprestou aos portugueses 97 milhões de livros ao longo de quase 40 anos. Parabéns à Fundação Calouste Gulbenkian por essa dádiva das bibliotecas itinerantes. Foram elas que ajudaram a formar muitos de nós, intelectualmente. Aqui deixo a minha homenagem.  

 

Marcolino (Escrevo pela ortografia antiga)

 



 

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SARILHOS PEQUENOS E AS TABERNAS

por marcolinofernandes, em 22.11.13

 

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                                                          Taberna do António "Coxo"

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Ao longo dos tempos as tabernas afirmaram-se por serem espaços privilegiados para manifestações da cultura popular, das ideias contra poder, da transmissão de conhecimentos e de saberes. Com balcões e pipas de madeira, elas afirmaram-se como um espaço de convívio destinado aos homens, onde o vinho era o principal produto consumido. O consumo de álcool associado aos diversos problemas que assolavam os grupos sociais menos abastados (os principais frequentadores das tabernas), fizeram recair sobre as tabernas pesados estigmas. Eram “Lugares de perdição” caracterizados pela miséria, a embriaguez, a desordem e o consumo excessivo de álcool. Porém, as tabernas eram muito mais do que a visão redutora de “lugares de perdição”. As tabernas, apesar de serem um negócio, carregavam consigo uma carga cultural e identitária que importa relevar. As tabernas estavam relacionadas com a economia local e reflectiam na sua multiplicidade estrutural (económica, gastronómica e social) as influências do território em que se inseriam. Mas as tabernas também eram um espaço de produção e transmissão de memórias.

 

Havia o lado obscuro das tabernas. O lado do álcool, bebedores inveterados, degradação humana, desconsideração, perda de amigos, bobo e desprezado, abandono familiar e todo um rol de situações de miséria humana a que se pode atribuir algumas culpas às tabernas, porque era lá que estava o vinho. Mas também havia o outro lado, o lado clareado, luminoso, nobre, social, que naquela época foi relevante.

 

Nas tabernas de Sarilhos Pequenos os homens organizavam festas, passeios colectivos, caçadas, brincadeiras de Carnaval, equipes de futebol amador, cantos de fado e cegadas (uma das formas de contestar o regime). Como um espaço cultural e recreativo, que também foram, as tabernas de sarilhos tinham nas paredes interiores das mesmas, em quase todas, frescos: pinturas alusivas aos homens, animais, barcos e paisagens. Na época era usual este tipo de arte popular. Muitas destas pinturas foram feitas pelo pintor da época, sarilhense, José da "Lota". No aspecto recreativo praticava-se diversos jogos populares: o jogo da malha (nos quintais adjacentes às tabernas). Jogo do dominó, jogo das cartas, jogo da laranjinha e outros…

 

Na primeira metade do século XX existiram em Sarilhos Pequenos vinte tabernas. Hoje já não existe nenhuma dessas vinte tabernas em funcionamento, apesar de existirem ainda os espaços, os edifícios, onde outrora algumas perduraram. Esses sítios estão hoje desprovidos do ambiente e da função social que as mesmas desempenharam. Desses tempos ficaram as lembranças e, através delas, a recordação de um tempo de vivência colectiva.

 

Deixo aqui os nomes populares pelos quais eram conhecidas:

Taberna da Ti Adelaide

Taberna da Ti Rosa da Mónica (Zé-Pataco)

Taberna da Ti "Estina do Manso"

Taberna da Ti Joaquina "Gorda"

Taberna da Ti Augusta "Felizarda"

Taberna da Ti Alice “Guedunha” (taberna/mercearia)

Taberna do Ti António "Bacalhau"

Taberna do Ti Constantino

Taberna do Ti António “Coxo”

Taberna do Ti "Canguichas"

Taberna do Ti "Zé-Ferrugento

Taberna do Ti Camilo e Ti “Ninga”

Taberna do Ti Henrique "Besoiro"

Taberna do Ti José António "Jaleco"

Taberna do Ti Joaquim Henrique (Maria Do Carmo)

Taberna do Ti Caetano

Taberna do Ti Zacarias "Penetra"

Taberna do Ti Luís "Algamelo"

Taberna do "Lambadas"

Quiosque do Ti "Maré" (junto à igreja)

 

Marcolino (Escrevo pela ortografia antiga)

 

 

 

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1304. Século XIV. Terá sido esta a data mais provável da fundação de Sarilhos Pequenos. Também há quem defenda que foi no século XV.

 

1386. Segundo o historiador António Oliveira, a Quinta de Sarilhos já possuía um moinho de maré nesta data. A Quinta, só pode ser a do Esteiro Furado. E o moinho, o do “Froje”.

 

1585. Data da existência do moinho de maré “De Entre os Termos”.

 

1600. É fundada a capela de S. Geraldo.

 

1630. É construída a capela da quinta do Esteiro Furado.

 

1709. Nesta data, reinado de D. João V, quarta dinastia Bregantina, o mesmo que mandou construir o convento de Mafra, é mencionado a existência de um moinho de maré no esteiro de Sarilhos, que unia o termo de Aldeia Galega ao termo de Alhos Vedros, povoação de Sarilhos Pequenos. Menção feita ao moinho de maré da caldeira de Sarilhos, a meio do caminho entre Sarilhos Grandes e Sarilhos Pequenos.

 

1758. Por informações Paroquiais sabe-se que o lugar de Sarilhos Pequenos possuía 55 vizinhos, com pessoas grandes e pequenas 148. Foi também neste ano que se terá construído a igreja (capela) de Sarilhos Pequenos.

 

1782. D. Maria I autoriza a realização de uma feira franca em Sarilhos Pequenos.

 

1790. Na segunda Dominga de Sª Ana, um grupo de Sarilhenses funda o Círio de Sarilhos Pequenos em honra de Nª Sª da Atalaia, em que os participantes (designação do Círio) eram “o povo”.

 

1816. Por carta régia, de 7 de fevereiro de 1816, D. João VI autorizou a transferência de uma feira que até então se realizou em Sarilhos Pequenos, para a vila da Moita, na forma e dia indicado pela confraria de Nossa Senhora da Boa Viagem.

 

1823. Segundo a memória manuscrita do Círio da Nº Sª d’Atalaia de Oeiras, o padre Manuel Costa, divulgou uma lista respeitante ao ano de 1823, onde é mencionado a presença de 34 Círios em Atalaia, o maior número de Círios que alguma vez se deslocara em romaria a esta localidade, e onde se incluía o Círio de Sarilhos Pequenos.

 

1934. O Esteiro Furado foi propriedade da coroa e gerida por administradores, até à extinção das ordens religiosas nesta data. Depois disso, passou para a posse de diversos proprietários: Rui de Miranda, cavaleiro da casa real de D. Sebastião; Gerarldo Huguens, Flamengo; Manuel de Oliveira de Abreu e Lima, neto do antecessor proprietário e provedor do tabaco de Alfândega da corte; Luís José Pereira; Paulo Nunes e Domingos Garcia.

 

1863. Domingos Garcia vende a quinta do Esteiro Furado aos Ingleses, Tomaz Creswel e sua mulher Marta Creswel.

 

1890. Segundo um inquérito industrial em 1890, na Quinta do Esteiro Furado, em Sarilhos Pequenos, existia uma pequena fábrica de cortiça com oito operários.

 

1908. Há indicação de uma serração de cortiça na Quinta do Esteiro Furado, propriedade dos ingleses Lord Bucknall e Carlos Creswell.

 

1918. É fundado o 1º de Maio Futebol Clube Sarilhense.

 

1932. Ano em que as festas de Sarilhos Pequenos deixaram de se realizar em anos consecutivos como acontecera até aí. As festas vinham-se realizando desde o século XVlll. Depois disso, só há memória (registo oral) de mais quatro festas: em 1943 ou 47; 1948; 1949 e, finalmente, 1960. Reiniciaram, consecutivamente, em 1987.

 

1941.O ciclone de 15 de Fevereiro fez três vítimas em Sarilhos Pequenos, directamente relacionadas com o rio Tejo. Fragateiros de profissão, faleceram por afogamento: Manuel “Pança”, Américo Gomes e Hermínio José.

 

1943. É fundado o estaleiro naval de Sarilhos Pequenos, pelo Sr. António “Viana”, natural de Viana do Castelo. Durante os doze anos em que foi proprietário do estaleiro, construiu e reconstruiu várias embarcações, inclusive botes do pinho.

 

1948. Grande luta dos Arrais e Salineiros de Sarilhos Pequenos.

               

1960. Realiza-se a última festa de Sarilhos Pequenos da era dos botes do pinho, seguindo-se um interregno de 27 anos.

 

1965. Faz-se o último carregamento de pinho. O bote “Palmeira” ainda fez um último e derradeiro frete, ficando depois a apodrecer no rio, terminando assim, definitivamente, os intrépidos botes do pinho de Sarilhos Pequenos. Aliás, já vinham em decadência desde fins dos anos 50.

 

1972. Realiza-se em Sarilhos Pequenos, por iniciativa de Marcolino Fernandes, um encontro de oposição ao regime, na adega da taberna do Sr. Carlos “Ferrugento”, em que contou com a participação dos cantores José Afonso (Zeca Afonso) e Patxi Andion, contor Espanhol.

 

1973. Em 8 de Abril, realiza-se o 3º Congresso da oposição Democrática, em Aveiro, no qual participou activamente um Sarilhense, membro da Comissão Nacional do Congresso.

 

1976. A 27 de Abril é fundado o Grupo Columbófilo de Sarilhos Pequenos.

 

1978. O 1º de Maio F.C.S. vence a série F da 3ª Divisão Nacional e sobe à 2ª Divisão.

 

1984. A 3 de Dezembro foi publicado no Diário da República, a constituição da Freguesia de Sarilhos Pequenos.

 

1987. A 9 de Agosto é fundada a Associação Naval Sarilhense.

 

1987. Reinicio das festas tradicionais de Sarilhos Pequenos, depois de um interregno de 27 anos.

 

1998. É publicado a primeira monografia de Sarilhos Pequenos de autoria de M.C.F.


1998. É elaborada a descrição da heráldica (descrever os brasões de armas ou escudos) da freguesia de Sarilhos Pequenos, de autoria de M.C.F.


1998/99. É apresentado "Sarilhos Pequenos Seus Topónimos" de autoria de M.C.F.

 

2003. É publicado o 1º volume das Memórias Infantis de Sarilhos Pequenos de autoria de M.C.F.

 

2012. É publicado o livro “Fragateiros do Tejo” (em particular os fragateiros de Sarilhos Pequenos), de autoria de M.C.F., cujo lançamento teve lugar no El Corte Inglês, em Lisboa, apresentado pelo Sr. Professor Doutor Fernando Carvalho Rodrigues.

 

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Desde tempos remotos que a Quinta tem uma forte ligação ao rio Tejo, através do grande esteiro que dá o nome à Quinta.

 

É Património Histórico, Arquitectónico e Agrícola.

 

É Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional.

 

Tem uma faixa de 150 hectares, que é zona de protecção especial do Estuário do Tejo, com um património avifaunístico excepcional no contexto da avifauna bravia da Europa, onde ocorrem regularmente concentrações notáveis de muitas espécies protegidas.

 

Possuía um palacete; uma capela ou ermida; campos de lavoura; oficinas de manutenção; garagens para carros de bois e carroças, armazéns para produtos hortícolas; estábulos; alambiques; conjunto de casas (antigas casas dos trabalhadores); lagares; um grande depósito de água, que também abastecia os navios ancorados no Tejo; armazéns para guardar ferramentas; um moinho de maré (desaparecido) chamado “Froje” e cinco salinas na dependência directa da Quinta: “Bombaça”, “Sarjeda”, “Guisada”, “Arvéloa” (alvéloa/pássaro) e “Furadinho”; um cais e um esteiro. Com exepção dos campos de lavoura e do esteiro (agora, mais assoreado), tudo o resto desapareceu ou está em ruinas e vandalizado.

 

O próprio esteiro continha elementos naturais que propiciava grande actividade laboral às gentes da região: apanha de ostras e casca da mesma; apanha de lameginhas; pesca artesanal; apanha de limos e apanha de morrassas. Pelo o seu pequeno cais, mesmo junto ao palacete, passou toda a actividade da Quinta, através do escoamento dos produtos, por via marítima, utilizando os barcos do Tejo: botes, varinos, canoas, batéis e outros.

 

Em 1863, Domingos Garcia vendeu a Quinta aos Ingleses.

 

Em 1890, existiu na Quinta do Esteiro Furado uma pequena fábrica de cortiça, com oito operários.

 

Em 1908 – os Ingleses Lord Bucknall e Carlos Creswell passara a ser os proprietários da Quinta.

 

A Quinta do Esteiro Furado terá nascido da união entre a Quinta do Martim Afionso e a Quinta do Brechão. Foi propriedade da coroa e gerida por administradores, até à extinção das ordens religiosas em 1834. Depois disso, passou para a posse de diversos proprietários: Rui de Miranda, cavaleiro da casa real de D. Sebastião; Gerarldo Huguens, Flamengo; Manuel de Oliveira de Abreu e Lima, neto do antecessor proprietário e provedor do tabaco de Alfândega da corte; Luís José Pereira; Paulo Nunes; Domingos Garcia; Tomaz Creswel e sua mulher Marta Creswel; Lord Buknall e Carlos Creswel; João Manuel (Chumbeiro). Em 30 de Dezembro de 1972, a Quinta foi comprada por António João da Silva e mantém-se na posse dos herdeiros até à data, 2007.

 

Ainda segundo alguns investigadores de história: a Quinta do Brechão teve uma ermida, cujo portal ainda se mantém à entrada do campo de Futebol. Tinha no altar, Nossa Senhora da Piedade, no qual estavam também Santo António e São Francisco e era administrada por António Luís da Silva e Araújo.

 

No mesmo local terá existido (tenho dúvidas, porque não há registo de memória oral), segundo estes investigadores, um Hospício das Freiras da Esperança para mudança de ares e banhos do mar, ali mesmo, na “Ponta d’Areia”. Estamos a falar dos séculos XVII - XVIII.

   

 

Falua (dois mastros com vergas) no cais do Esteiro Furado. Princípio do século XX.

Canoas do limo no Esteiro Furado. Princípio do século XX.

Canoas do limo navegando no Esteiro furado. princípio do séculoXX.

Canoas do limo, perto do esteiro furado. Princípio do século XX.



A CAPELA: A Capela de S. Gerardo ou Ermida de Sª Trindade?

Foi fundada em 1600 e construida em 1629.Tem uma torre tipo Senhorial, abastardada, com a insígnia da ordem de Santiago. Na fachada da Capela, junto à entrada, ainda existe uma lápide, que na sua frontaria tem a cruz da ordem de Santiago, com o seguinte epitáfio:



EM LOUVOR DA SANTÍSSIMA

TRINDADE SE PRINCIPIOU ESTA

HERMIDA DA SANTÍSSIMA

TRINDADE AO VAL EDIFICOU

INES VELOSA NO ANO D 1629”.



Dentro da Capela encontra-se uma pedra tumular, arredada do sítio e bastante mal tratada pelos visitantes menos escrupulosos, quiçá, também, por outras pessoas menos suspeitas, cujos actos de vandalismo destruíram todo o interior da Capela. Ainda é visível na pedra o epitáfio que diz o seguinte:



 

“ ESTA HE DGIRARDO

HUGENS ESTTUIDOR Q FOI DESTE

HERMIDA OQUOAL FALECEO NO

ANO DI 1657 EM 9 DE JULHO

DO DITO ANO E DE SUA MOLHER

INES VELOZA E DSEU FILHO MEL

HUGENS E MAIS SUSES (…)

DESCENDENTES (…) TA GE ERASAM

COMO O DOS DITOS MINISTRADORES

Q FOREM DA (…) TA HERMIDA”.




Ainda no interior da Capela, na parede lateral, à direita, os azulejos continham uma inscrição referente à construção da mesma, também foram arrancados. A inscrição dizia o seguinte:

 


 

ESTA OBRA SE FEZ D

AZVLEIO NA ERA D

1657S7. ANNOS

 



 

     Inglesa proprietário do Esteiro Furado e seu filho.

    Julgo que será Marta Creswell

 

 



Ana do Vale Corte Real (Donana)                

Proprietário do palácio (Pomarinho)              


 


Condessa Quintelas (irmã de Ana do vale)

Eram conhecidas como “As Donanas”





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