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AS FESTAS DE SARILHOS PEQUENOS

 

As festas de Sarilhos Pequenos ter-se-ão iniciado no século XVIII, em anos consecutivos até 1932. Depois disso, só há registo (memória oral) de mais cinco festas: Em 1937, 1947; 1948; 1949 e 1960. Seguiu-se um interregno de vinte e sete anos sem festas. Só em 1987 é que se reiniciaram novamente, sempre em anos consecutivos até à presente data.

 

Foi também no século XVIII, em 1782, que D. Maria I autorizou a realização de uma feira franca em Sarilhos Pequenos. 34 Anos depois, em 1816, já no século XIX, por carta régia de 7 de Fevereiro do mesmo ano, D. João VI autoriza a transferência de uma feira que até então se realizara em Sarilhos Pequenos, para a vila da Moita, na forma e dia indicado pela confraria de Nossa Senhora da Boa Viagem.

 

Ainda no século XVIII, em 1790, na segunda Dominga de Sª Ana, um grupo de Sarilhenses funda o Círio de Sarilhos Pequenos em honra de Nª Sª da Atalaia, em que os participantes (designação do Círio) eram “o povo”.

 

No século XIX, segundo a memória manuscrita do Círio da Nº Sª d’Atalaia de Oeiras, o padre Manuel Costa divulgou uma lista respeitante ao ano de 1823, onde é mencionado a presença de 34 Círios em Atalaia, o maior número de Círios que alguma vez se deslocara em romaria a esta localidade, e onde se incluía o Círio de Sarilhos Pequenos.

 

No Sábado, dia 6 de Agosto de 1960, realizaram-se as últimas festas de Sarilhos Pequenos da época dos botes do pinho, que terminaram na quarta-feira dia 10 (5 dias de festas). Tinha havido um intervalo de onze anos sem festas. As anteriores efectuaram-se em 1949. Posteriormente só viriam a realizar-se em 1987. Ficaram intercaladas entre um interregno de 11 anos para trás e 27 anos para a frente. Mas foram as festas da nossa infância.

 

ÉRAMOS TODOS CRIANÇAS.

 

      Os músicos da banda de Sarilhos Grandes, uma charanga comandada pelo senhor “Lò”, como era conhecido, percorriam as ruas de Sarilhos Pequenos anunciando o início das festas. Todos os que podiam caprichavam na vestimenta. Afinal, sempre eram as festas da terra. Era um tempo em que se esmerava na farpela em dias especiais: domingos e dias festivos.

      Ouvem-se os cânticos entoarem pelas ruas de Sarilhos. Alguns têm a percepção do que se trata. Outros, porém, são apanhados de surpresa, ainda deitados, e saem de casa à pressa, mal têm tempo de se vestir. Todos se juntavam para acompanhar a charanga e dançar o uga-uga, percorrendo assim as ruas de Sarilhos, ao som da música, anunciando o início das festas da Nossa Senhora da Graça. Pelo caminho, à frente dos músicos, seguiam também as mulheres, de braço dado, saltitando de um lado para o outro, passo à frente, passo atrás, ao toque das cantigas, cujo repertório, à época, era quase sempre constituído por canções populares, como: o “Cochicho da Menina” («Rapaziada, isto agora é que vai bem, rip, pi, pi, pi, pi, pi, pi, o cochicho da menina»), “Larga a menina, ou pá!” e outras... Pelo meio, os miúdos caminhavam, pés descalços, à força de pisadelas.

       - Eh pá! Não me pises, porra! Levas uma chapada não tarda! – dizia o Guedelhas para o Fisgas que, apesar do seu tamanho, não hesitou em responder à letra...

       - Tu?... Tu não dás nada!

       - Não dou?... Ora, toma lá!...

      - Ai! Cabrão! «Manicacas»!

      - Psiu! Caluda! Se não levas mais... 

     Conforme acompanhavam o uga–uga, de rua em rua, havia sempre um malandreco a fazer judiarias, passando rasteiras aos  mais incautos e indefesos. As ruas eram de terra batida, com regos ao meio para melhor escoamento das águas da chuva e outras águas de origem doméstica. Quase todos os rapazes andavam descalços, exceptuando meia dúzia deles, filhos de famílias remediadas. Alguns andavam de calções até à idade adulta. As mães deles, as remediadas, não queriam que os seus filhos vagueassem pela Borda do Mar e outros sítios emblemáticos, onde a rapaziada extravasava de liberdade, dando azo às suas diabruras e patifarias, próprias dos miúdos da época. Esses rapazes eram alcunhados, em surdina, de meninos das mamãs. Mas eram pouquíssimos, de facto, e foram meninos até muito tarde, ao contrário da maioria dos rapazes, que não tiveram tempo de acabar a meninice ao ingressarem no trabalho muito precocemente. Ao contrário da maioria, os filhos dos remediados tiveram quase tudo, quase tudo em termos de condições económicas, só não tiveram o “quase”, e o “quase”, era muita coisa: era a tal vivência colectiva; vaguear livre pelos recônditos da aldeia; usufruir dos pinhais, da flora, da fauna, e dos cheiros; sentir as águas do rio e ir aos banhos de água salgada; sentir o vento; enfim, sentir o Sol radiante irrompendo pela aurora dos nossos sonhos e aventuras: brincar, brincar, brincar...

      Todos dançavam ao compasso da música, sempre atentos às pisadelas do Gordo, que eram terríveis mesmo para uns pés calçados, quanto mais pés descalços!

      - Pá! Sai daqui do meio!... – ameaçava o Gordo, para ficar com espaço para saltitar à vontade ao ritmo da música, sem ter empecilhos por perto a atrapalhá-lo. Para isso, já bastava o seu jeito desengonçado e trapalhão. Dançar não era muito o seu jeito.

      Já percorridas várias ruas, a multidão engrossava e era agora mais numerosa, pelo que o espaço escasseava: «Este tem a mania que é tudo dele! Queres ver!...» – desdenhava o Toninho, estrategicamente colocado no meio da malta da rua da Margateira, para o parceiro de ocasião, o Mansinho, que era da rua da Atrás-da-Taipa e seguia na primeira fila, mas que deambulou para o meio.

 

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                                                                      Anos 40. Uga-uga.

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                           Os músicos da  charanga descansando junto ao rio, perto do campo de futebol

 

      Alguns guardavam os tostões dos recados que faziam para ‘gastar’ pelas festas, por forma a puderem comprar um bocadinho de torrão de Alicante ou um pirolito. Outros beneficiavam dos proventos do trabalho dos irmãos mais velhos, que já trabalhavam no rio. Havia também aqueles que nada tinham e que se entretinham a vaguear pela festa, às vezes desafiando os outros com impropérios e alcunhas depreciativas.  

      O costume das alcunhas alimentava quezilas e desavenças. Por vezes raiava a ofensa e as brigas aconteciam. É bem verdade que algumas eram particularmente malévolas para despertarem no alcunhado um sentimento de cólera interior. A crueldade infantil era arrasadora e tinha laias de fanfarronice truculenta, mas não era intrínseca, era coisa da época. Ainda hoje, a crueldade infantil é uma componente psicológica do Ser humano enquanto criança, de quem sempre se disse serem puras e imaculadas. Mas essa crueldade infantil era, também, fruto de infâncias difíceis com muitas privações, repercutindo-se muitas das vezes nas atitudes das crianças, que tratavam logo de alcunharem-se umas às outras com epítetos depreciativos, alguns escabrosos e abjectos, explorando os pequenos detalhes físicos e características pessoais de cada um. A imaginação era fértil, e o impulso momentâneo e circunstancial dos autores das alcunhas perdurava para toda a vida. Ainda hoje, são lembradas algumas alcunhas vindas dessa vivência passada, relacionadas com o aspecto físico das pessoas: Pé–Curto, Braço–Curto, Pé–Gordo, Rodas–Baixas, Meio–Litro, Seis Dedos, Cabeça à Banda, Coxo, Gorducho, Bucha, Ramela, Marreco, careca, zarolho, Meia–Orelha, Ratada, Canheira, Júlia Maluca, Mouca, Muda e muitas outras... Apesar de disso, as crianças continuam a ser o melhor do mundo, digo eu.

 

O CIRCO

 

     A azáfama da montagem do palco, junto à "bomba" da água (chafariz), trazia mais um espaço para brincadeiras debaixo do mesmo. As barracas da feira eram montadas no largo e no espaço atrás da igreja (inclusive a tenda do circo). Atrás da Igreja é como quem diz, ao lado, mas sempre dissemos atrás.

    - Vem aí o circo! – alertava o Mansinho, sempre atento às novidades e aos acontecimentos vividos na terra. A notícia corria célere pelas ruas da aldeia, propagando-se rapidamente como vento soprando as mentes do imaginário infantil, cumprindo a tradição, sempre aguardado com muita expectativa por novos e velhos. Naquele tempo, festas sem circo não eram festas, ainda que, quase sempre, fossem pequenas famílias de saltimbancos, cujos artistas intervenientes eram constituídos por pequenos grupos familiares. Os saltimbancos davam a volta às ruas para divulgar o espectáculo, fazendo-se acompanhar de um ou dois instrumentos, normalmente uma trompete, uma pandeireta e um elemento solto que entregava os prospectos. Na falta de propaganda escrita era anunciado por via oral, rua a rua, através de elementos ciecentes: «Venham ao circo, o maior espectáculo do mundo!» A rapaziada, ávida de tudo que era festa, vinha logo a correr prostrar-se atrás dos saltimbancos, engrossando o número de acompanhantes de circunstância, cujos intuitos apelativos era chamar a atenção do povo com ruidoso alarido. «Atenção! Atenção! Palhaços, acrobatas, malabaristas e a grande vedeta, Asiul Airam. Esta noite, grande espectáculo, às nove e meia! Não percam...». Este nome pomposo, Asiul Airam era, nem mais nem menos, que Luísa Maria ao contrário. Os artistas de circo sempre gostaram muito de utilizar os nomes próprios ao contrário, para dar mais ênfase, parecendo estrangeirismos.

    Rebenta um foguete ao início da noite de Sábado, são nove horas da noite, a festa começa com o acender das luzes multicolores do arraial esplendoroso. É a parte da festa, juntamente com a procissão, que os Sarilhenses mais se orgulham. Ainda hoje é assim. Sai a banda filarmónica de Sarilhos Grandes, no ar pairam os cheiros e aromas, vindos das barracas das farturas, do torrão de Alicante, e também os cheiros do povo, dançando e cantando pelas ruas, as marchas do uga–uga, indiferentes aos problemas quotidianos que terão de enfrentar novamente, após o fim das festas. Nas barracas dos feirantes estava gente acabrunhada, melancólica, de ar triste e olhar mortiço, indiferentes ao bulício dos visitantes. Ali perto, ouviam-se as primeiras palavras, trazidas pelo vento, do apresentador do circo: «Senhoras e senhores, meninas e meninos, simpático público, o espectáculo vai começar!...». Nesse ano o circo já teve uma dimensão razoável, diferente, com um tenda grande e animais. A tenda montada fazia transparecer as sombras deslizantes dos corpos dos artistas, projectados para fora do pano, através das luzes interiores, com a exuberância de todos eles, desfilando em trajes literalmente cintilantes. A rapaziada presente, fora e dentro do recinto do circo, exultava ruidosamente com as tropelias dos palhaços e suas grandes gargalhadas que se ouviam cá fora, junto à esquina da igreja.

     O espectáculo já decorria, quando foi solicitado a colaboração de alguém do público. Muito solícito, o Orlindo ofereceu-se logo, ele que tinha aquele ar destemido, despreocupado e aventureiro, avançou para o meio do recinto e foi-lhe pedido que montasse um Camelo. O Orlindo não se fez rogado e avançou para cima do animal, cuja disposição, nessa noite, não estava para brincadeiras. O animal estava excitado e muito enervado, pelo que irrompeu por aí fora, rasgou o pano que fazia a cobertura do circo e fugiu, criando um clima de pânico nalgumas pessoas. Foi uma noite de pandemónio, naquele ano de 1960.

    «Jesus, credo! O que é isto filhos!?...Venham já para casa!» – clamava a Maria pelos filhos mais pequenos, que ainda brincavam na rua àquela hora, assustada com tamanho alarido provocado pelo animal assustado.

     -- Ai valha-nos nossa Senhora da Graça! O que será que está acontecer no circo?... -- perguntava a Ti Rosa por detrás da rede da porta de casa, sempre a bisbilhotar, toda assarapantada com o acontecimento.

      -- Foi o Camelo que entrou em «parafuso»!... – respondeu o Carlitos em jeito de aviso: fujam!... fujam!... Que o animal está doido!... O pânico instalara-se, fugindo cada um para seu lado. O espectáculo extravasou para as ruas tão depressa, que a notícia se espalhara pela aldeia como a água da maré na enchente. Para as crianças que ainda brincavam nas ruas àquela hora, no mês de Agosto, descuidadas e alheias às preocupações dos adultos, o susto fê-las correr para dentro de casa, para junto de suas mães. O pânico só acalmou quando o animal foi apaziguado e levado novamente para o circo

 

A PROCISSÃO

 

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Procissão. Anos 40.

 

      Domingo à tarde, dia 7, saiu a procissão da igreja com as figuras habituais: os Santos, os andores, o povo e a Santa padroeira da terra, Nossa Senhora da Graça. Esta, porém, era quase sempre levada por homens altos e robustos como mandava a tradição, para que a Santa tivesse melhor visibilidade junto da aglomeração de pessoas que a acompanhavam, lentamente, pelas ruas de Sarilhos, até à Borda do Mar, onde todos assistiam ao fogo de artifício em honra da Nª Sª da Graça, lançado de cima dos barcos.

      Normalmente, à época, eram os fragateiros a transportar a padroeira, por ser conhecida a crença religiosa de alguns homens do rio, relacionada com a vida dura e pouco proveitosa da labuta diária no rio Tejo. A padroeira já fora credora de alguns apelos feitos por estes, nos dias de aflição, em horas muito sombrias de apuro e dificuldades, nos momentos difíceis de grandes temporais, como foi o ciclone no dia 15 de Fevereiro de 1941, mas não impediu que três sarilhenses morressem afogados no rio: Manuel “Pança”, Américo Gomes e Hermínio José.

      De opa roxo vestidos, passada lenta, os homens carregam o andor de rua em rua, misturando-se com a multidão. Durante a passagem da procissão era costume fazerem oferendas à Santa. Normalmente pregavam-se (com alfinetes) notas e peças de ouro ao manto da Santa de acordo com a preferência devota de cada um, sendo que, no final da procissão, era a Nossa Senhora da Graça a santa que apresentava o maior número de oferendas pregadas ao seu manto azul. A propósito do destino dessas notas, os mais antigos contavam que um tal senhor padre que aqui esteve, anterior ao padre João Evangelista de Jesus, ter-se-á escapulido com um montão de notas retiradas do manta da santa, proveniente das ofertas do povo. É claro que o assunto foi abafado para não dar má imagem da igreja, e também porque vivíamos em ditadura. Também houve outra história relacionada com um cordão de ouro oferecido à santa, mas prefiro não dissertar sobre o assunto por desconhecer os pormenores. À passagem dos andores juntava-se sempre muita gente que, nos passeios ou às portas de suas casas, esperavam o cortejo religioso. Uns por verdadeira devoção, que a emoção e lágrimas traduziam, outros por mera curiosidade, alguns por culto.

      Os acordos da fanfarra dos bombeiros já são perceptíveis ao longe, aproximando-se da imagem da nossa Senhora da Graça, sempre esplendorosa nas suas vestes ornamentadas a ouro pelas mãos caprichosas das costureiras de Sarilhos Pequenos. Exclamações de admiração entre a multidão, sobretudo Sarilhenses, acotovelando-se junto às casas, sublinham a passagem transcendente: «É a Santa mais bonita que existe. Mais bonita e milagreira!...», proclamava um velhote, descarapuçado, com o boné nas mãos calejadas e trémulas, benzendo-se em sinal de respeito.

      Chegados à Borda do Mar, o fogo é lançado pelos fragateiros dentro das suas embarcações engalanadas a rigor e cuidadosamente preparadas para a ocasião. A multidão fica de olhos postos no ar, admirando toda a azáfama do acto, rendida ao ruído contínuo e ensurdecedor do rebentamento dos foguetes, cujas canas caíam ao rio, no sítio da Ponta D’Areia, junto ao Estaleiro Naval. Misturada com a multidão vai também a rapaziada traquina, à espera de outras solicitações maiores que os mobilizem para as brincadeiras seguintes.

      As festas são momentos em que se confundem luzes, cheiros, sabores, cores e sons num só. As festas não foram feitas para durar, mas a vida também não, daí a importância das memórias ficarem registadas, pelo menos enquanto duramos.

 Marcolino C. Fernandes (Escreve pela ortografia antiga)

 

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                                                                                    Comissão de festas

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A fazerem de músicos com os instrumentos musicais da charanga

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