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SARILHOS PEQUENOS E AS TABERNAS

por marcolinofernandes, em 22.11.13

 

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                                                          Taberna do António "Coxo"

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Ao longo dos tempos as tabernas afirmaram-se por serem espaços privilegiados para manifestações da cultura popular, das ideias contra poder, da transmissão de conhecimentos e de saberes. Com balcões e pipas de madeira, elas afirmaram-se como um espaço de convívio destinado aos homens, onde o vinho era o principal produto consumido. O consumo de álcool associado aos diversos problemas que assolavam os grupos sociais menos abastados (os principais frequentadores das tabernas), fizeram recair sobre as tabernas pesados estigmas. Eram “Lugares de perdição” caracterizados pela miséria, a embriaguez, a desordem e o consumo excessivo de álcool. Porém, as tabernas eram muito mais do que a visão redutora de “lugares de perdição”. As tabernas, apesar de serem um negócio, carregavam consigo uma carga cultural e identitária que importa relevar. As tabernas estavam relacionadas com a economia local e reflectiam na sua multiplicidade estrutural (económica, gastronómica e social) as influências do território em que se inseriam. Mas as tabernas também eram um espaço de produção e transmissão de memórias.

 

Havia o lado obscuro das tabernas. O lado do álcool, bebedores inveterados, degradação humana, desconsideração, perda de amigos, bobo e desprezado, abandono familiar e todo um rol de situações de miséria humana a que se pode atribuir algumas culpas às tabernas, porque era lá que estava o vinho. Mas também havia o outro lado, o lado clareado, luminoso, nobre, social, que naquela época foi relevante.

 

Nas tabernas de Sarilhos Pequenos os homens organizavam festas, passeios colectivos, caçadas, brincadeiras de Carnaval, equipes de futebol amador, cantos de fado e cegadas (uma das formas de contestar o regime). Como um espaço cultural e recreativo, que também foram, as tabernas de sarilhos tinham nas paredes interiores das mesmas, em quase todas, frescos: pinturas alusivas aos homens, animais, barcos e paisagens. Na época era usual este tipo de arte popular. Muitas destas pinturas foram feitas pelo pintor da época, sarilhense, José da "Lota". No aspecto recreativo praticava-se diversos jogos populares: o jogo da malha (nos quintais adjacentes às tabernas). Jogo do dominó, jogo das cartas, jogo da laranjinha e outros…

 

Na primeira metade do século XX existiram em Sarilhos Pequenos vinte tabernas. Hoje já não existe nenhuma dessas vinte tabernas em funcionamento, apesar de existirem ainda os espaços, os edifícios, onde outrora algumas perduraram. Esses sítios estão hoje desprovidos do ambiente e da função social que as mesmas desempenharam. Desses tempos ficaram as lembranças e, através delas, a recordação de um tempo de vivência colectiva.

 

Deixo aqui os nomes populares pelos quais eram conhecidas:

Taberna da Ti Adelaide

Taberna da Ti Rosa da Mónica (Zé-Pataco)

Taberna da Ti "Estina do Manso"

Taberna da Ti Joaquina "Gorda"

Taberna da Ti Augusta "Felizarda"

Taberna da Ti Alice “Guedunha” (taberna/mercearia)

Taberna do Ti António "Bacalhau"

Taberna do Ti Constantino

Taberna do Ti António “Coxo”

Taberna do Ti "Canguichas"

Taberna do Ti "Zé-Ferrugento

Taberna do Ti Camilo e Ti “Ninga”

Taberna do Ti Henrique "Besoiro"

Taberna do Ti José António "Jaleco"

Taberna do Ti Joaquim Henrique (Maria Do Carmo)

Taberna do Ti Caetano

Taberna do Ti Zacarias "Penetra"

Taberna do Ti Luís "Algamelo"

Taberna do "Lambadas"

Quiosque do Ti "Maré" (junto à igreja)

 

Marcolino (Escrevo pela ortografia antiga)

 

 

 

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