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SARILHOS PEQUENOS: LEGAR MEMÓRIAS

por marcolinofernandes, em 15.08.17

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 Deixo algumas fotos (apenas algumas) de barcos e pessoas de Sarilhos Pequenos, quase todas identificadas, no final do texto.

 

Para que se possa pensar a articulação da memória na vida social, é importante enfatizar a necessidade de se observar os mecanismos sociais que favorecem a experiência comum da vida

 

Se o relato biográfico é constituído a partir da memória, tanto individual como colectiva, lembrar é também uma forma de nos posicionarmos socialmente.

 

Memória é a capacidade do ser humano de reter factos e experiências do passado e retransmiti-los às novas gerações através de diferentes suportes empíricos (voz, música, imagem, textos, etc.).

 

Nós não nos lembramos de tudo o que aconteceu ou que nos foi ensinado ao longo de nossa vida. Esquecemos a maioria das coisas que vivemos e só retemos aquelas que possuem significado, isto é, que são funcionais para nossa existência futura. Já alguém disse que cultura é memória, pois é a cultura de uma sociedade que guarda tudo o que é retido pela memória para depois poder servir como experiência válida ou informação importante para o futuro.

 

As festas populares, por exemplo, das pequenas comunidades como Sarilhos Pequenos, enquanto práticas culturais que comunicam saberes e aprendizagens colectivas, são tomadas como exemplo para se compreender como parte da tradição da cultura local depende da transmissão dos valores do grupo social, do colectivo, e das trocas de saberes entre os protagonistas dos festejos. Neste processo, as representações sociais exercem a mediação simbólica produzida no compartilhar dos sentidos, como matéria-prima essencial da cultura imaterial e da memória social. A recordação e a memorização são tidas como processos construídos culturalmente e fazem parte da dinâmica da vida social

 

A importância de se legar memórias, deixar às novas gerações toda a informação que possuímos, seja através da escrita, da fotografia ou da pintura, é um dever cívico, um acto de cidadania. Nesse sentido, procuro divulgar e perpetuar memórias, passar toda a informação que possuo, quer seja através da publicação de livros (4), sendo que dois dos seis livros escritos esperam publicação: “Falares de Sarilhos Pequenos – Alcunhas, Termos, Expressões e Aforismos” e “Histórias de uma Travessia”, quer seja utilizando as novas tecnologias, através de um blogo que criei e da rede social facebook. Nada nos pertence; nem mesmo o nosso corpo, que é transitório...

 

Não é que esteja a pensar partir brevemente, ainda tenho muita coisa para fazer, muitas ideias para realizar. Diz-se que depois de certa idade a gente tem mais coisas para contar do que para fazer, mas eu vou fazendo e contando, por enquanto...

 

“No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade.” (Saramago)

 

Depois desta pequena introdução, vou deixar aqui os nomes dos barcos (botes, varinos e canoas) de Sarilhos Pequenos, que chegaram a ser perto de sessenta no auge da sua actividade marítima. Poder-se-á dizer, sem chauvinismos desmedidos, que Sarilhos Pequenos possuía mais barcos do que as outras terras do concelho (Moita, Gaio, Rosário e Alhos Vedros) todas juntas. Só faço referência à quantidade de barcos apenas para repor a verdade. É que já ouvi em muitos locais de palestras e outros eventos afins, omissões e inverdades ditas por ignorância, desconhecimento e até sobranceria a propósito dos barcos do Tejo no concelho da Moita.

 

O que está nos meus livros e em todos os meus textos sobre Sarilhos Pequenos são as memórias pessoais e intrínsecas de quem as relata e também toda a informação que fui recolhendo ao longo de anos. Estas são as minhas histórias, as minhas informações. Fossem outros os narradores, outras seriam as histórias e, quiçá, mais informações. Daí que não considero esta lista de barcos e pessoas completa, por ventura faltarão nomes de barcos e de pessoas que a minha memória não reteve ou desconhece.

 

O homem precisa de amar a sua terra

 

Existe um despertar romântico e saudosista no homem que valoriza a maior de suas origens: a pátria. A pátria começa pela nossa terra.

 

Marcolino C. Fernandes (Não escreve pelo novo acordo ortográfico))

 

                    BARCOS                             TRIPULAÇÃO/ARRAIS

                                                                  ||

        ||                         (alguns eram os próprios proprietários)

 

VICTOR HUGO ------------------Joaquim Rodrigues (“Badio”)

MALICHA ------------------------- António Rodrigues (“Rabão”)

IRENE  -----------------------------Joaquim Rodrigues (“da Estefânia”)

POMBINHA ---------------------- Zacarias Fernandes( Zé-Carias)

REGALO --------------------------José “Pinta” e “Martaliano”

ULISSES --------------------------Alexandro G. Paulino(“da Pança”)

NÉLITA ----------------------------Alexandro Paulino(“da Pança”)

PALMEIRA------------------------Malaquias Miranda(“Guedunha”)

DECIDIDO -----------------------Henrique Fernandes ( “Zélhinho”

LUTADOR ---(Cnuda) ---------Manuel J. Fiteira (“Quindera”)

SOTA -----------------------------José (“Peixinho”)

 FAÍSCA -------------------------Joaquim (“da Estefânia”)

ARGENTINO -------------------Henrique ?

BUQUE --------------------------António "Mundo"/ Adelino”Peixespada”

TALAMINHO -------------------Sipriano Martins (“Paiôrra”)      

FERNANDO I (Gaião)-------José Rodrigues (“Batata” )

MISÉRIA-------------- ---------Joaquim  Rodrigues (“da Estefânea”)

PIMPÃO -----------------------João Gomes (“da Pacheca”)

COMPANHIA -------------- --João “da Pacheca” (Filho)

LARANGINHA ---------------Ant.Caetano e Ant.(“Pança”)

CAVALA ------------------- ---Ant.Fernandes (“Antóniozinho”)

PALHAIS ----------------------Ti-Caetano

CABO-RASO ----------------Francisco Gomes(“Chico Ferrum”)

ENTORTA-VIDAS ----------Joaquim Fernandes (“Eua”) e ( Ti-“Cerejas”)

MULATA ----------------------Ti-“Manso”

VASCO DA GAMA ------ --João Rodrigues (Ti – “Aré ”)

FORMOSINHO --------------António Fernandes (Ti – “Gungunhana”)

JOSÉ TOMÁS ----------------Eduardo Fernandes (Ti- Eduardo “Pilha”)

MARIA ROSA ----------------Armando Batista ("Zéssado”) / Pai e Filho

MARIA DAS DORES--------Zacarias (“Penetra”) e Filhos

CANOA CEGA ---------------Manuel Ventura (“Romeu”)

CALDINHOS  -----------------António Francisco “Leal”/João Aré

PARTE E RASGA------------José"Ferrum"/Fred."Pinta"/J."Carapau".

MANUEL I---------Talvez Henriue “zelhinho” ??

CAMELA---(Flôr/Brejos)-António "Ventura"

 ESTEFÂNEA --Canoa----Manuel Batista (“Zéssado”)

 PISTAROLA  ------------  António Simões (“Pistarola”)

SIMÕES  ----------------   António Simões (“Pistarola”)

RATINHO  -----------     ?

VARETAS-----------   -----José de Oliveira (Ti-“Zé-Batefado”)

PAI-DA-MALTA------------Agostinho Rodrigues e Tomás José (“Farramenteiro”)

S.JOÃO BATISTA e MALICHA -------Manuel da Costa (“Rasgado”)

TAVARES ------------------Manuel Fernandes  

SOCIEDADE/ COMPANHIA ----------Manuel José (Geada)

NÃO INVEJA A FLÔR------------------Bernardino Rodrigues (Ti- “Tripas”)

INVEJA A FLOR-------------------------João (“Aré”) ??

BEBVINDO--------------------------------João Aré

16 DE FEVEREIRO  -------------------José Rodrigues Pint (“Lé”)

ADELINA COSTA---(Fragata)------- Francisco João (“Chico Remicha”)

TATE  ----------------(Fragata)---------Ti- Bruno.

BOTE do “Rambóia”

BOTE do “Gaiolo”

BARCO do Diamantino

BARCO  do Berardo “Charuto".

BARCO  do  Ti "Charuto”

BARCO  do Ti "Sabino".

BARCO  do Ti "Chicozinho".

BARCO  do Ti- "Zé-Gaitinhas".

BARCO  do Ti-Manuel Da" Velha".

BARCO do Ti- "Zé-Batefado”

 

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Jornal do sindicato dos fragateiros com a lista dos mortos pelo ciclone de 1941, onde se inclui três sarilhenses: Herminio José, Manuel "Pança" e Américo Gomes.

 

 

 

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